Porto Alegre, sexta-feira, 20 de outubro de 2017
   

Deputado Raul Carrion - PCdoB-RS

As portas de Tebas

APRESENTAÇÃO
A Semente e os Frutos
 

Em fins de 1995, pesava duramente sobre o mundo o impacto social, político e ideológico da maré contra-revolucionária, plenamente triunfante em fins da década anterior. No mundo das ideias, reinavam prepotentemente as visões irracionalistas, quietistas e imobilistas da realidade e devir sociais.

A desigualdade e a exploração do trabalho humano eram apontadas como expressões positivas de ordem social naturalizada. A transformação ascendente da sociedade, através da superação quantitativa e qualitativa das contradições sociais, era defini­da como mito macabro relegado para sempre ao passado.

Em Porto Alegre, em novembro de 1995, um grupo de estudiosos e militantes gaúchos criou o Grupo de Estudo Marxistas, espaço democrático e pluridisciplinar de debate aberto a todos que defendiam a vigência do marxismo como instrumento indispensável à compreen­são da vida humana e da luta por futuro digno do próprio homem.

Desde sua fundação, definiu-se como forma de funcionamento do GEM a apresentação quinzenal, por um convidado ou membros do grupo, de texto com uma comunicação ou investigação em desenvolvimento, sobre questões atinentes às mais diversas esferas da realidade social.

Distribuídos com antecedência pelo correio normal e, a seguir, eletrônico, os documentos eram a seguir discutidos pelo coletivo do GEM e interessados, em geral após a apresentação do comunicador e as considerações contraditórias de um debatedor. Foram realizados alguns debates e reuniões em celebração a trans­cursos atinentes ao mundo do trabalho.

Desde seu início, as reuniões quinzenais reuniram em animado, fraterno e produtivo debate, comunicadores, debatedores e interessados das mais diversas correntes e visões marxistas, ou que possuíam no marxismo apenas um referencial analítico.

Em 1996, devido ao crescimento do número de associados, foi decidida a transformação do Grupo de Estudos Marxistas em Centro de Estudos Marxistas - CEM/RS -, mantendo-se o mesmo processo de funcionamento.

Em 1997, em co-edição com a EdiUFRGS, lançou-se o livro Luz e sombras: ensaios de interpretação marxista, com os dezessete textos, de doze autores, discutidos em 1995-6. Como nas publicações seguintes, os textos abordavam questões atinentes a arquitetura, agronomia, direito, ecologia, economia, história, linguística, literatura, sociologia, etc.

O prosseguimento dos debates ensejou, dois anos mais tarde, a publicação, agora pela UPF Editora, do livro Fios de Ariadne: ensaios de interpretação marxista, com 23 textos, de dezessete autores, postos à discussão em 1997-1998.

Finalmente, em 1999, foi a vez de Os trabalhos e os dias: ensaios de interpretação marxista, com os 21 textos, de 16 autores, discutidos em 1999-2000. Nesse biénio, um maior número de membros do interior do estado ensejou maior número de comunicações atinentes sobretudo ao norte do Rio Grande do Sul.

Desde novembro de 1995, modificaram-se aceleradamente as conjunturas internacionais e nacionais, em clara refutação do mito do “fim da história”. Na segunda metade dos anos 1990, o esgotamento das propostas neoliberais expressou-se na vitória dos partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas, etc. na Alemanha, na França, na Inglaterra, na Itália, na Holanda, etc.

Em inícios do novo milénio, a negativa daqueles projetos de romperem com o grande capital, abrindo espaço para soluções efetivas das necessidades populares, permitiu o retorno da direita, não raro exacerbado, na Itália, na França, em Israel, na Áustria, etc. Desse processo fez parte o controle republicano dos Estados Unidos.

No Brasil, em fins dos anos 1990, avançou fortemente a esquerda parlamentar, que obteve vitórias importantes como o controle governamental do Rio Grande, em 1998. No momento em que se escreve esta apresentação, há grande possibilidade da vitória da Frente Popular do pleito presidencial de 2002. No Brasil, nesse período, talvez à exceção das lutas rurais, não houve igual avanço do movimento social.

Como há sete anos, conscientes de que o processo de análise e interpretação do mundo social deve necessariamente ser processo permanente, coletivo e socialmente engajado, o CEM gratifica-se em apresentar sua quarta publicação. As portas de Tebas: ensaios de interpretação marxista, com os textos discutidos em 2001 e em inícios de 2002.

Passo Fundo - Porto Alegre, 24 de outubro de 2002
Mário Maestri — Raul Carrion — Robert Ponge
Organizadores

CENTRO DE ESTUDOS MARXISTAS. As portas de Tebas: ensaios de interpretação marxista / Centro de Estudo Marxistas. - Passo Fundo : UPF, 2002. 350 p.

Editora Universitária - UPF
Campus l, BR 285 - Km 171 - Bairro São José
CEP 99001-970 - Passo Fundo - RS – Brasil

Centro de Estudos Marxistas
Caixa postal 10675 – Agência Central
CEP: 90001-970 – Porto Alegre / RS


sumário

Perguntas de um operário que lê 5

A Semente e os Frutos 7

 

Marxismo e meio-ambiente/11

 

Frente da luta, frente da produção: desenvolvimento tecnológico dos
assentamentos campesinos no Rio Grande do Sul 13

Humberto Sorio Júnior

 

Breves notas sobre o tema marxismo e ecologismo 25

Demétrio Ribeiro

 

Ecologia e marxismo: comentário sobre uma história de oportunidades perdidas  27

Giovani Gregol

 

História e luta de classes / 41

 

A República do senhor Mandela 43

Günter Weimer

 

Imperialismo: a face oculta do germanismo 67

Olgário Paulo Vogt

 

Trabalhadores escravizados e livres na fazenda pastoril (1860-188 113

Mário Maestri

 

A aldeia ausente: índios, caboclos, escravos e imigrantes na formação

do campesinato brasileiro 149

Mário Maestri

 

O século XXI entre o socialismo e a barbárie: um roteiro de discussão* 177

Mário Maestri

 

Dos primeiros partidos operários à formação do Partido Comunista do Brasil  193

Raul Carrion

 

política, economia e marxismo/233

 

Alternativa transformadora de Mangabeira e a esquerda: uma proposta nova e os tabus  235

Demétrio Ribeiro

 

Globalização e mudanças no Estado  239

Eduardo K. M. Carrion

 

A atualidade produtiva do pensamento de KarI Marx 247

Avelino da Rosa Oliveira

 

O capitalismo maquiado 259

Luiz Roberto Lopez

 

Cultura e sociedade / 271

 

Música clássica e luta de classes 273

Luiz Roberto Lopez

 

O surrealismo: alguns elementos para discussão e debate 293

Robert Ponge

 

O marxismo e a questão do género 311

Marcelo Disconzi
 


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