Diante da não unificação dos partidos de oposição – que
chegou a ser tentada –, o atual vice-presidente de Taiwan,
membro do Partido Democrático Progressista venceu as
eleições, com 40,05% dos votos, contra 33,49% do candidato
do Kuomintang e 26,46% do candidato do Partido Popular.
O PDP alinha-se incondicionalmente ao imperialismo
estadunidense e ocidental e se opõe à reintegração de Taiwan
à China, no que se choca frontalmente com o governo chinês,
que desde 1949 insiste que Taiwan é uma província rebelada
da China e propõe a sua reintegração pacífica à nação
chinesa.
Apesar de ter vencido as eleições, o PDP perdeu a sua
maioria parlamentar. Os dois partidos de oposição – que
juntos somaram 59,95% – têm uma postura de maior aproximação
e diálogo com a China.
Tendo em vista a desinformação difundida pela mídia
ocidental, que apresenta o imperialismo estadunidense e o
governo reacionário de Taiwan como paladinos da democracia e
da autodeterminação dos povos, e a China como o vilão que
pretende desrespeitar a soberania nacional de Taiwan, é
necessário contextualizar historicamente esse conflito..
A LONGA LUTA PELA LIBERTAÇÃO DA CHINA
Depois da Primeira Guerra Civil Revolucionária (1924-1927) e
da Segunda Guerra Civil Revolucionária (1927-1937), o
Exército Popular de Libertação – sob a liderança do Partido
Comunista – suportou o esforço maior da Guerra contra o
Japão (1937-1945), lutando em duas frentes – contra os
imperialistas japoneses e contra o Kuomintang de Chiang
Kai-shek que sabotava a unidade contra o inimigo comum e
colaborava abertamente com os japoneses, com o objetivo de
enfraquecer o Exército Popular Libertador.
Quando, em agosto de 1945 o exército soviético passou a
ofensiva na Manchúria, destruindo as principais forças do
exército japonês, o Exército Popular de Libertação
aproveitou para lançar uma grande ofensiva, libertando 150
cidades e ampliando os territórios por ele controlados, na
China Central e do Norte, aproximando-se de Pequim, Nanquim
e Shangai.
Para se opor ao avanço das tropas revolucionárias, os
Estados Unidos desembarcaram um exército de mais de 100 mil
homens em várias regiões da China e, junto com o Kuomintang,
ocuparam Pequim, Nanquim e Shangai.
Derrotados os japoneses, os comunistas propuseram a retirada
de todas as tropas estrangeiras e a formação de um governo
de coalizão, com a participação de todos os partidos, o que
o Kuomintang recusou.
Em julho de 1946, depois de uma trégua de sete meses, os
exércitos do Kuomintang atacaram as áreas dominadas pelo
Exército Popular de Libertação, no Norte e no Centro do
país. Eram quatro milhões e trezentos mil homens –
abastecidos pelos EUA com o armamento mais moderno – contra
um milhão e duzentos mil homens das forças revolucionárias,
precariamente armados.
Utilizando a tática de guerrilhas combinada com a guerra de
movimentos e a guerra de posições, o Exército Libertador
resistiu a esses ataques e em 1947 passou à contraofensiva
em escala nacional. Em pouco mais de dois anos, o Exército
Popular libertou toda China Central e Setentrional e
penetrou no Sudoeste, tomando Shangai, Hanchou e outras
importantes cidades.
CHIANG KAI-SHEK FOGE PARA TAIWAN, SOB PROTEÇÃO DOS EUA
Em meados de janeiro de 1949, diante de apelos de Chiang
Kai-shek, o PCCh colocou suas condições para firmar a paz.
Em 31 de janeiro, Pequim foi libertada, depois que sua
guarnição se retirou sem luta. Diante da recusa do
Kuomintang às condições para a paz, em 23 de abril o
Exército Popular de Libertação tomou Nanquim, sede do
governo do Kuomintang, e em 1º de outubro, em Pequim, foi
proclamada a República Popular da China.
Chiang Kai-shek e o que restou de suas tropas fugiram para a
ilha de Formosa (Taiwan) sob a proteção da 7ª Esquadra dos
Estados Unidos, que bloqueou o estreito e estacionou tropas
na ilha, impedindo que Exército Popular a libertasse. Chiang
Kai-shek proclamou Taipei como a nova capital da República
da China.
Os EUA e a maioria das potências ocidentais impuseram um
bloqueio à China Popular, retiraram os seus embaixadores e
empresas, transladando-as para Taiwan. A Republica Popular
da China – que representava 98% do território e quase toda a
população do país – não pôde assumir a sua cadeira na ONU,
por oposição dos EUA. Só em novembro de 1971 a China Popular
voltou a ocupar o seu assento na ONU e no seu Conselho de
Segurança.
Em junho de 1950, poucos meses depois da proclamação da
República Popular da China, os EUA e seus aliados
deflagraram a guerra da Coreia, vendo nela um meio de
enfraquecer a China e viabilizar a retomada do seu controle
pelo Kuomintang, mas fracassaram no seu intento, devido à
derrota na Coreia.
OS GOVERNOS DITATORIAIS DE CHIANG KAI-SHEK E DE SEU FILHO
EM TAIWAN
Ao contrário da falácia do apoio a Taiwan “para defender o
mundo livre e a democracia”, a ilha foi mantida sob a lei
marcial até julho de 1987, com as garantias constitucionais
e os direitos humanos, civis e políticos suspensos. A
ditadura de Chiang Kai-shek se notabilizou por sua violenta
polícia política – dirigida por seu filho Chiang Ching-kuo
–, acusada de cometer reiteradas violações de direitos
humanos. Após a morte de Chiang Kai-shek, em 1975, e um
breve período em que foi substituído pelo vice-presidente,
assumiu a presidência seu filho Chiang Ching-kuo, o chefe da
temida polícia política. Apesar da Lei marcial ter sido
suspensa em 1987, só nas eleições presidenciais de 1996 foi
permitida a participação de partidos de oposição e pela
primeira vez o presidente de Taiwan foi eleito através de
sufrágio universal.
Só em dezembro de 1978 – sete anos após as Nações Unidas
terem devolvido à China socialista a sua cadeira na ONU – os
Estados Unidos deixaram de reconhecer a “República da China”
(Taiwan) e passaram a reconhecer a República Popular da
China como a representação do povo chinês. Atualmente, dos
194 países da ONU, 181 mantém relações diplomáticas com a
República Popular da China e apenas 13 mantém relações
diplomáticas com o governo de Taiwan.
O DESRESPEITO ESTADUNIDENSE À POLÍTICA DE UMA SÓ CHINA
Apesar do governo dos Estados Unidos reconhecer “da boca
para fora” a existência de uma única China e que Taiwan faz
parte do território chinês, atua de forma descarada,
fomentando o separatismo, vendendo-lhe as mais modernas
armas, estabelecendo relações oficiosas com seu governo,
proibindo a venda de chips avançados à China patrulhando o
estreito de Taiwan com navios de guerra e ameaçando intervir
caso a China busque a reunificação pela força.
Em contrapartida, a China – ao mesmo tempo que reafirma a
sua intenção de promover a reintegração pacífica de Taiwan à
China, aprovou em 2005 sua Lei Anti-secessão, que prevê a
intervenção armada, caso Taiwan proclame formalmente a sua
independência.
Comentando os resultados eleitorais, a China afirmou que não
há qualquer alteração na sua posição de que Taiwan pertence
à China, que a reunificação é inevitável e que será
realizada se possível por meios pacíficos, mas que qualquer
proclamação de independência por parte de Taiwan será
respondida com o uso da força.
Pequim afirma, ainda, que as eleições comprovaram que o
Partido Democrático Progressista – que defende a
independência de Taiwan – obteve apenas 40% dos votos e não
representa a maioria do povo de Taiwan.
CONCLUSÃO
Pelo relato, fica claro que a ilha de Taiwan é parte
histórica do território chinês, que só não foi incorporada à
República Popular da China no final de 1949 devido à
intervenção militar direta dos Estados Unidos, que –
desrespeitando a autodeterminação do povo chinês – impediram
o Exército Popular de libertá-la.
Taiwan nunca existiu como nação autônoma, nada mais sendo do
que uma província chinesa. A sua criação (“invenção”) foi um
atropelo à soberania chinesa e precisa ser reparada, como
aconteceu com Hong Kong e Macau, enclaves coloniais da
Grã-Bretanha e Portugal. A China se propõe a fazê-lo
pacificamente. Quem fomenta o conflito são os EUA...
Quem está desrespeitando a soberania nacional e a
autodeterminação do povo chinês são os EUA e não a China!
Tenho a convicção de que, com a sua proverbial paciência, a
China prevalecerá.